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VOLUNTARIADO e PROTAGONISMO JUVENIL: caminhos para uma juventude consciente e participativa.

Temos por hábito achar que os jovens se preocupam apenas com as coisas que lhes interessam, com as questões que dizem respeito a eles e ao seu grupo de relacionamento. Isto não é verdade. Minha experiência tem mostrado que tudo é uma questão de oportunidade, ou seja, de oferecermos ao jovem uma chance para que ele possa mostrar o seu potencial de generosidade.

Recordo-me de certa vez em que ouvi o grande poeta e dramaturgo brasileiro Adriano Suassuna usando uma comparação muito interessante para falar sobre os jovens. Dizia ele: - “Afirmam que cachorro adora osso. Claro, ele está morrendo de fome, você dá para ele um osso e ele come desesperadamente. Experimente dar para ele um osso e uma bisteca e veja se ele não corre para a bisteca. Assim é com a música – continuava o autor – dizem que o jovem adora hip hop, funk. É claro, se não dão a ele a oportunidade de ouvir uma boa música clássica, como ele irá demonstrar que gosta deste tipo de música também”. Parafraseando Suassuna podemos dizer que se não oferecemos ao jovem oportunidade para que ele se integre na sociedade, participe de decisões, assuma responsabilidades e exerça suas capacidades doando-se em favor do próximo, fica difícil perceber a generosidade que existe dentro de cada um deles.

Muito provavelmente na sua insegurança o jovem talvez não consiga tomar por si só certas iniciativas. Convidado, porém, a se engajar em uma causa nobre: ajudar a vítimas de uma catástrofe, promover uma campanha para auxiliar crianças carentes, participar de um mutirão para apoiar uma entidade social, rapidamente perceberemos que ele responde com entusiasmo, determinação e com aquilo que lhe é mais peculiar: criatividade.

Uma pesquisa de alguns anos atrás dava conta de que apenas 7% dos jovens brasileiros faziam algum trabalho voluntário. Relatava, porém, que 52% deles gostariam de poder se engajar em alguma atividade social. O que é preciso para mudarmos este quadro? É necessário apenas que ofereçamos ao jovem oportunidade para que exerça seu protagonismo, ou seja, assuma iniciativas, lidere movimentos em favor do próximo, tenha espaço para propor novos projetos e ações que tragam transformação para uma determinada realidade. O que o jovem não quer é ser apenas simples figurante, porque combina com sua natureza ser ator principal.

Todos, quem mais ou quem menos, experimentamos às vezes a sensação de inferioridade ou de desprestígio em relação a outros. O envolvimento em um serviço voluntário dá a todos nós, e ao jovem em especial, a oportunidade de perceber nossas capacidades, o prazer de sentir-se útil para a vida e a felicidade de alguém que está muito necessitado. Nada nos traz tanta satisfação interior quanto a alegria pelo bem realizado, quando recebemos o sorriso feliz de alguém que na sua dor ou tristeza pode contar com nossa atitude amiga e serviçal.

Precisamos apostar no potencial dos jovens. Oferecer a eles espaço para desenvolver sua capacidade de liderança, assumir iniciativas com responsabilidade exercendo um verdadeiro “protagonismo juvenil”. Estimulado no seu protagonismo e participando de ações voluntárias o jovem encontrará mais facilmente um caminho para amadurecer como um cidadão consciente e participativo. À luz do mandamento do serviço, que recebemos de Jesus, podemos ter certeza de que ele viverá também como um bom cristão, consciente e generoso. Esta é a meta que Dom Bosco, chamado pela Igreja de Pai e Mestre dos jovens, nos deixou ao dizer que deveríamos, na educação, formar bons cristãos e honestos cidadãos.

Por Padre Agnaldo Soares Lima

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