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EDUCANDO COM DOM BOSCO (parte 8)

Nas reuniões que faço com nossos educadores, não raro cobro dos mesmos alguma tarefa que lhes foi confiada. Algumas vezes acabo sendo surpreendido por aqueles profissionais que não cumpriram com a preparação do que deveriam ter feito. Nesta hora costumo dizer-lhes: -“se fosse uma das nossas crianças ou adolescentes que não tivesse feito a lição, o chamaríamos de desobediente e até diríamos que lhe falta responsabilidade”. E aí, pergunto: -“como ficamos nós quando agimos de forma parecida? Não estamos falhando também nós?” Esta é a melhor forma que tenho de mostrar a eles um pouco das nossas incoerências. No dia-a-dia com os filhos, não estamos imunes a situações parecidas. Temos que estar muito atentos quanto a isso. Veja o que nos diz Dom Bosco:

8- SEJA COERENTE COM O SEU FILHO...

- Não temos direito de exigir de nosso filho atitudes que não temos.
- Quem não é responsável não pode exigir responsabilidade.
- Quem não é sério não pode exigir seriedade.
- Quem não respeita não pode exigir respeito. E assim por diante.
- Às vezes somos rigorosos ou rudes para esconder nossa própria fraqueza e falta de argumentos.
- O nosso filho vê tudo isso muito bem, talvez porque nos conheça mais do que nós  a ele.

Já dissemos anteriormente que não temos que parecer “super-homens” ou “super-mulheres” diante de nossos filhos. Eles têm que nos perceber como seres humanos nos quais eles podem se espelhar para crescerem como bons adultos e que, como todos também nós temos nossas fragilidades. Isto significa que nem sempre vamos acertar em nossas decisões, mas isto é muito diferente de sermos incoerentes em nossas atitudes.

Errar em uma decisão ou em um nosso posicionamento é decorrência do fato de que não somo obrigados a saber tudo. Outra coisa é não cumprirmos com nossos deveres dentro do nosso ambiente de trabalho, ou em nossas relações com a família, falhando nos nossos compromissos conjugais ou como pais. Há pais e autoridades que se sentem confortáveis ao dizer: “façam o que eu falo, mas não façam o que eu faço”. Que triste. Como podemos imaginar que alguém deva fazer algo apenas porque “eu” estou dizendo, quando eu mesmo não acredito no que digo. Afinal, se acredito também eu deveria colocar em prática.

Os filhos quando pequenos se espelham sempre nos pais, os vêm como ídolos que eles admiram e querem imitar. O afeto e a admiração não permitem, quando se é ainda pequeno, de perceber as falhas e os defeitos dos pais. Isto tende a mudar na medida em que os filhos crescem e vão entrando na adolescência. Eles se tornam mais críticos, mais observadores e facilmente se dão conta da nossa maior ou menor sinceridade.

Quando os pais mandam seus filhos para a Igreja para se prepararem para a 1ª. Eucaristia, mas eles mesmos nunca vão à Missa, os filhos até freqüentarão a catequese e farão sua Primeira Comunhão. Não seguirão depois a religião, pois raramente viram seus pais indo à Igreja. É uma pena, pois chegará o momento em que pela falta de fé e de valores tomarão caminhos errados. Nestas horas se perceberá que a incoerência dos pais custou um preço caro.

Por Padre Agnaldo Soares Lima

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