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OS JOVENS E AS DROGAS: o que os pais precisam saber.

Quando o tema é drogas, jovens dependentes das drogas, a associação imediata é com “mundo do crime”, “violência”, “marginalidade”. Acreditamos, sobretudo, que este é um problema que diz respeito à juventude do morro, da favela ou àqueles cujos pais não cuidam e deixam os filhos “largados” por aí. Acreditamos também que nossos filhos estão imunes porque moramos num bairro bom ou porque ele está longe das más companhias. Aqui reside o perigo! Nenhuma família, independente de classe social, condição econômica ou local de residência está imune ao problema das drogas.

Na maior parte das vezes o que ouço dos pais que me procuram pedindo ajuda são frases como: - “foi sempre um bom filho, um menino carinhoso”; - “é uma jovem tão inteligente”; e assim por diante. As atitudes do jovem que se tornou um viciado nos enganam quanto ao seu perfil, que vai associado com agressividade, furtos, roubos, que, na verdade, já são conseqüências do uso das drogas. Para surpresa destes pais, gosto sempre de dizer que a personalidade do usuário em potencial é de alguém muito cativante, amável, sensível e muito inteligente. Seu envolvimento com as drogas nada tem a ver com ambientes ou más companhias. Isto pode ser apenas um elemento facilitador. O que o leva a buscar envolvimento com álcool e drogas são outros fatores, que passam decisivamente através da questão educação, auto-estima, depressão.

O que muitos pais não sabem é que depende principalmente da forma como educam seus filhos para que estes venham ou não no futuro a se envolver com as drogas. Toda criança precisa de afeto e carinho para crescer de forma segura e sabendo valorizar a si mesma, descobrir suas capacidades e qualidades. Isto é fundamental para sua auto-estima. Por outro lado a criança necessita também de limite, regras e disciplina. A vida não é fácil e temos que nos preparar para as dificuldades e para as frustrações. Uma criança que vai sempre acontentada em tudo, que acredita que vai sempre poder fazer e conseguir tudo o que quer, quando encontrar uma barreira, uma dificuldade que não consegue superar, não irá apenas se frustrar, mas irá ficar deprimida. A falta de confiança em si e a incapacidade de suportar um “não” ou qualquer tipo de obstáculo vai levá-la, inevitavelmente, a buscar uma fuga diante dos seus problemas. Esta fuga poderá ser o álcool ou as drogas.

Como se pode ver acima, dependência química (como é também chamado o uso das drogas) não é questão de malandragem ou banditismo, mas é doença, conseqüência de um processo de depressão. Assim sendo, é importante que os pais ao perceberem um comportamento diferente no filho ou na filha e desconfiando que possa estar se envolvendo com bebidas ou drogas, que procurem logo orientação e ajuda. Muitos pais, por medo ou vergonha de enfrentar tal problema vão sempre adiando o momento de reconhecer e assumir que seu filho ou sua filha podem estar tendo contato com as drogas. Isto não ajuda e somente piora a situação. Quando orientado logo no início é mais fácil do jovem ser ajudado para não se tornar um dependente. Se perceber que seu filho (a) mudou de comportamento, começa a mentir sobre onde vai ou sobre o que está fazendo, começa a tornar-se agressivo, é hora de acender a luz vermelha e colocar-se em alerta.

Constatar a possibilidade de tal envolvimento também não deve levar os pais ao pânico. É preciso muita serenidade, diálogo aberto e franco para enfrentar a questão. Em todas as cidades e, em geral ligados a alguma igreja, temos os grupos de apoio do Amor Exigente ou dos Narcóticos Anônimos, que oferecem orientação e ajuda para as famílias de como lidar com esta situação. Você não precisa nem esperar que o problema chegue até sua casa. Participe de algumas reuniões de um destes Grupos e receberá orientações preciosas que servirão para prevenir sua família e seus filhos deste mal.

De resto: carinho (abraço, beijo, diálogo), limite (regra, disciplina, horário) e valores morais e espirituais (religião, aprender a ajudar o próximo) será sempre a melhor forma de educação e de prevenção na formação de toda criança e jovem.

Por Padre Agnaldo Soares Lima

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